Porto, a essência

julho 13, 2017

Ponte de D. Luís I / Luiz I, Porto.
Posso quase dizer que andei sempre a pé de uma ponta da cidade à outra, salvo algumas excepções. Também isto é semelhante a Coimbra... fica tudo tão pertinho que é muito mais enriquecedor andar pelos nossos próprios pés, com ou sem mapas para nos guiar, conhecendo e perdendo-nos nas pequenas, mas doces e ternurentas ruas.

Comecei pelo Mercado do Bolhão, onde se pode encontrar a fruta, os legumes, o peixe fresco e os enchidos, os habitantes e trabalhadores mais genuínos, os naturais do Porto! Segui pela infinita Rua de Santa Catarina, onde finalmente encontrei o Café Majestic, um espaço brutalmente bonito! Continuei o meu caminho até passar pelo Coliseu do Porto e, um pouquinho depois, pelo Teatro Rivoli.

A caminho da Ponte de D. Luís I, passei pelas Muralhas Fernandinas, mas, infelizmente, havia obras a decorrer e não consegui fazer a visita. Digamos que tenho uma desculpa para voltar mais rapidamente ao Porto! Caminhei então, para trás, em direcção à Sé e ao Paço/Palácio Episcopal. O Palácio é de uma grandeza que eu não imaginava e de uma riqueza acima das minhas expectativas. Tem talvez a vista mais privilegiada para a zona da Ribeira e da Ponte de D. Luís I, a minha azulinha. Vê-se tudo, tudo, tudo! É maravilhoso! 

Daqui, desci as Escadas das Verdades com destino à Ribeira, a tão esperada paragem.

O azul gentil da Ponte de D. Luís I recebe-me com a sua calma, com a sua tranquilidade. Ouve-se o piar inconfundível das gaivotas, lembrando-nos que o coração do mar não está longe e que o Douro está a uns passos da nossa alma. Ouve-se o metro que passa de quando em quando, os turistas que se maravilham com a perfeição das sombras da cidade e que sorriem entre eles, ainda que não pertençam à mesma nação. Se escutar mais profunda e atentamente, consigo ouvir alguns músicos que fazem vibrar as suas cordas no ar do Porto. A Ribeira tem uma magia que penetra nas fendas de qualquer alma humana que por ali passe.

À tarde, sentei-me mesmo no cais, à sombra de uma árvore fresca, de onde conseguia ver toda a riqueza e beleza desta paisagem que há tanto desejava conhecer, ver com os meus olhos e sentir com o meu corpo. Sinto a brisa que me beija os cabelos, a mesma que abraça as águas vivas e azuladas do Douro, que certamente regam histórias antigas, dando-lhes uma leve ondulação. Naquele momento (dura)douro, mas que me pareceu demasiado curto, fugaz, infelizmente efémero, para conseguir absorver aquela essência, desejei poder eternizar aquela vista, aquela vivência, num cantinho recôndito da minha memória para poder voltar, sempre que quisesse, àquelas recordações douradas sem fim. Desejei poder gravar no coração cada detalhe, cada silêncio e cada gesto da própria paisagem. Desejei, por momentos, tornar-me Douro, tornar-me Porto, carago! E só não consegui porque aqui não nasci, nem cresci. Mas agora, um pouquinho do Porto está em mim e um pedacinho de mim ficou no Porto. É assim que deve ser. Juntar momentos como estes e crescer por dentro.

E agora, não uma despedida, mas umas palavras em jeito de «Até já» à moda do Porto: «Bibó Porto, carago!».

Mercado do Bolhão
Rua de Santa Catarina



Sé.

Sé.















Todas as fotografias foram tiradas por mim, pelo Porto, no mês de Julho de 2017.

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4 comentários

  1. Sem sair do lugar, senti-me a percorrer novamente as ruas desta cidade tão maravilhosa!
    Que o regresso seja para breve :)

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  2. r: Que bom que é ler isso, minha linda! Ele merece, sem dúvida, que o número de admiradores do seu trabalho aumente, porque tem um talento imenso e é muito genuíno.

    Conseguiste, sem qualquer dúvida :)

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Obrigada pela tua visita :)

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