Caligrafia

De onde vieste, tristeza?

setembro 24, 2018

Fotografia retirada do Tumblr.

Querida, a minha alma imortal morreu na noite passada. Hoje, de madrugada, enterrei-a!
Em tempos muito antigos, dos quais não tens memória porque ainda não existias, eu era como tu - tinha fome do passado e sede do futuro; era mãe dos meus medos e filha dos meus sonhos. Nasci naquela aldeia de pedra e cresci com as palavras, a poesia...
Tu gostavas das minhas histórias e pedias sempre mais. Ah! Como é bom ser avó!
Hoje, os sinos da igreja estalam por minha causa.
Voei por entre as lusas brumas de um sonho transmontano para te ver. Estás a chorar!
De onde vieste, tristeza, que vejo nos olhos da minha neta?
Sinto os teus pensamentos tão pesados! As lágrimas de hoje são por mim derramadas? Lembra-te que pior do que morrer alguém, é morrer o amor por alguém!
Sei que, depois destas negras nuvens chorarem, a tua eterna e verdadeira felicidade encontrar-te-á. Consigo ver a família que criarás e o sorriso que nascerá em ti sem te aperceberes.
E eu, de te ver feliz, sorri!

Caligrafia

Asas de Vento

setembro 22, 2018

Fotografia da minha autoria.

E lá estava ela! No seu glorioso manto celestial, a voar de forma sublime, como que um guerreiro ilustre, antes do confronto com os inimigos. A brisa primaveril deslizava-lhe pelo bico de bronze e acompanhava o voo das suas asas brancas, cinzentas e sujas de sal proveniente das gotículas de água que se lhe entranhavam nas penas, aquando da sua pesca de alimento (por vezes, manchado pelo óleo negro, espesso e mortal espalhado pelo Homem, no grande lago único) para garantir a sua sobrevivência.

A tranquilidade do oceano levava-a a nadar calmamente pela ondulação do alto mar, para que o seu espírito recolhesse aquela serenidade e brancura do clima marinho e apreendesse aquele som da boca do mundo a marulhar, a roncar, certas vezes, quando se zangava com as nuvens e provocava as lágrimas do céu, os gritos de desespero e preces do horizonte manchado pela tristeza, quase invisível aos nossos olhos.

A maresia libertada pela espuma esbranquiçada no rebentar das ondas azuis e brilhantes preenchia também parte da essência da gaivota.

O seu piar, esganiçado e alterado pelo ambiente silencioso em constante movimento, era testemunha da existência de lugares assim, como aquele, de certa forma paradisíacos.

A areia dourada nascida nas arribas altas e majestosas da falésia e as restantes rochas com semelhante berço constituíam o porto de abrigo dessas aves.

Um dia de inverno, esta criatura levantou voo, cansada de si, velha do mundo e extasiada do mar. Foi a última vez que o fez. Foi a última vez que voou! A ela parecera-lhe normal, uma manhã cinzenta e nebulosa, tal como todas as manhãs de uma estação fria e triste, onde o sol se esconde entre as brumas da vida. A meio do seu percurso algo falhou. Sentiu-se cair, sem dor nem alegria, apenas caindo, com aquela normalidade de algo que se desvanece, como se soubesse que chegara a sua hora e que a escuridão da morte a seguraria antes de sentir o seu corpo gélido da água do mar na sua queda! Como se conhecesse o ciclo da vida de um ser vivo temporário neste local pequeno e (des)conhecido.

Adeus, Asas de Vento! Desfruta desse teu voo que é agora infindo e deixa a tua alma ecoar no mundo dos não vivos.

Buongiorno Principessa!

Pelo teu bem-estar, pela tua saúde, por ti

setembro 22, 2018

Imagem retirada do Tumblr.
Depois de terminar a Faculdade e estabilizar minimamente a vida, há que fazer algo por nós, pela nossa saúde e pelo nosso bem-estar.

Com toda a azáfama que exigem os últimos anos, entre estágios curriculares, mudanças de cidades, projectos de investigação e outras avaliações, muitos de nós deixam para trás coisas importantes e esquecem-se de tratar de si. Esquecem-se dos pilares de uma vida plena que transpire bem-estar.

Mas eis que a hora da maré calma chegou, enfim.

Chegou a hora de recomeçar a fazer algo por mim, pelo meu futuro eu. Algo a que me comprometa a fazer, no tempo que me sobra, para que no amanhã possa ser mais saudável.

Inscrevi-me num ginásio para dar à minha vida uma correria diferente do quotidiano, uma correria calma, para me dar um estilo de vida mais activo, consistente e regular. Para ganhar massa muscular, força e resistência. E para me sentir melhor comigo. Para mim, o exercício físico é o meu melhor amigo nesse aspecto, garanto-vos. E foi a primeira vez que olhei para a actividade física sem uma perspectiva estética, mas sim como um meio para a minha saúde sorrir, isto é, foi a primeira vez que olhei para a actividade física sem pensar em perdas de peso, embora nunca precisasse de o perder.

Depois de anos sem me pesar, consultei a nutricionista da Clínica e fiz todo o rastreio nutricional.
Foi uma conquista para mim. O simples facto de pousar os pés em cima de uma balança.
Nunca pensei que um dia me pudesse sentir assim. "Quase livre" da prisão que é, por vezes, a nossa cabeça. Claro que há dias bons e outros menos bons, toda a gente os tem e a vida é mesmo assim, mas o que quero dizer é que os consigo contornar com mais facilidade, graças à Psicologia, graças a uma Psicóloga.

Começo a deixar de ter vergonha de mim, do meu corpo, do meu peso (já desmistificado). Começo a tratar do meu corpo tal como aquilo que ele é - um corpo - e não um bicho de sete cabeças. Começo a ouvi-lo, a escutá-lo e a dar-lhe o que ele precisa para estar bem e saudável.


E vocês? O que fazem pela vossa saúde e pelo vosso bem-estar?

Partilhem as vossas experiências nos comentários 🌼

Instagram

Em destaque

Carta a uma (c)idade