The Ginger Bookworm

Ilustração feita pelo meu irmão, Tomás.

Um dos objectivos principais para o Bem-Me-Quer era criar as minhas prĂłprias imagens/logĂłtipos e utilizar as minhas prĂłprias fotografias. Hoje, com a ajuda do meu irmĂŁo que Ă© barra na tecnologia, conseguimos finalizar o primeiro Favicon para o blogue.

Daqui em diante, vou tentando criar as minhas próprias imagens, para utilizar por aqui. É claro que haverá sempre uma publicação ou outra em que utilizo imagens/fotografias retiradas do Tumblr ou do Google, mas, em todo o caso, refiro sempre a sua origem.

Este é o meu primeiro Favicon e é 100% original. Vamos começando com coisas simples. Gostam?

Print da minha página do Bem-Me-Quer no Facebook.

Regressei da pausa do Verão com uma ideia a concretizar: achei que seria uma boa ideia criar uma página no Facebook para o Bem-Me-Quer. Como hoje em dia todos nós comunicamos maioritariamente através das Redes Sociais, pensei que seria mais fácil chegar às pessoas pelo Facebook, até porque é das redes mais utilizadas.

Assim, para quem nĂŁo tem um blogue ou nĂŁo tem por hábito visitar a blogosfera, pode conhecer um bocadinho deste blogue atravĂ©s do Facebook. Por lá, Ă© uma forma tambĂ©m de ter algum feedback diferente daquele que tenho por aqui. Assim, vou tambĂ©m conhecendo melhor os leitores e percebendo quais os temas que mais gostam de ler.

Espero que gostem da página! Passem por lá e deixem o vosso «Gosto». Podem visitá-lo AQUI .

Fotografia: Vincenzo Balocchi :: Appasionati, 1947
Dança comigo. Olha para os meus olhos e vê-me. Deixa-me ver-te assim também. Cala-me a vergonha que me entorpece o corpo, puxa o meu braço e leva-me contigo. Cola-me ao teu peito e, ao som da melodia, ensina-me os passos e eu acompanhar-te-ei com o meu corpo e com o meu coração. Os teus braços, longos e protectores, nos meus, pequenos e frágeis. O meu cabelo com ondas de avelã soltas a nadar no teu peito quente de amor. Os nossos passos coordenados e felizes. O meu coração a vibrar e a sorrir cá dentro. O teu olhar com um brilho diferente dos outros e que sorri para mim. Os nossos fatos colados na pele e a mistura dos aromas dos nossos perfumes. Nós a sermos poesia, a sermos melodia. A sermos um.
Agosto de 2017. Praia da Ursa. Fotografia da minha autoria.

Três azuis irmãos se avistam daqui, de onde me deito, serena e calma, abraçados pela espuma branca como cal. Sob o nevoeiro que já vai longe, subindo para os céus, paira um pequeno barco à vela, navegando morosamente, percorrendo a linha do horizonte, recta, azul, perfeita.

O céu e o mar beijam-se numa infinidade de pontos reluzentes de uma tarde que não é minha, mas do mundo. Nasce uma estranha mas harmoniosa cumplicidade entre eles e a geologia envolvente que permanece na eternidade das coisas.
Sintra. 2010. Fotografia tirada pelo meu irmĂŁo.

agarraram os meus braços e
amarram as minha pernas Ă s
raízes da árvore que eu não escolhi

foi como um suicídio forçado

absorvi, contrariada e angustiada,
o sangue da planta

nas minhas veias corre uma 
seiva velha, centenária
que me chupa a vontade
de ir mais longe

envelheci com as ervas
em dias gélidos e noites cerradas

perdi o jeito da Vida e 
ganhei o gesto do Acaso

desfiz-me em flocos de neve
desfiz o mundo de lĂŁ
em pedaços de algodão

por fim
amanheci
Ilustração retirada do Pinterest.


Preciso de chorar.
Parece que tudo na vida acontece de modo incompreensível. Não consigo perceber por que é que agora, precisamente nesta fase em que precisaria de estar mais descansada e concentrada, surgem as verdades, que eram antes metades, mas que agora não são apenas verdades inteiras. São problemas inteiros! Problemas sérios! Problemas que fingia não existirem nos últimos três anos. Passei três anos a mentir-me. A saber que estava a mentir a mim mesma. Mas continuei...
E hoje, a vontade das minhas vontades Ă© fugir e Ă© chorar e Ă© gritar em silĂŞncio no meu quarto. É abraçar-me sentada no chĂŁo frio. Quero «desaparecer» e nunca mais voltar.
Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. Outubro de 2016. Fotografia da autoria de uma colega de turma.
Esta cidade, amor da minha vida, que me beija ao amanhecer e me aconchega ao sol-pôr, fez de mim um Bem-Me-Quer com pétalas de um branco sereno e meigo. Abraçada pelo verde natural que a envolve, como que um botão de rosa imaculado, tornou-se uma parte de mim. Uma grande parte de mim. Sorte em tê-la para a vida!

Se eu deixar que aconteça, sei que nunca deixará de me surpreender! Bastará abrir o meu coração ao Mondego e a minha alma a Coimbra e é certo que me vou apaixonar novamente pelos seus encantos, pela enésima vez! Quanto mais a conheço, mais vontade tenho de a conhecer mais e melhor!

Do Botânico, daqui, de onde estou, vejo um mundo novo! Um mundo onde me repito a cantar os sonhos da criança que fui e onde recordo o que e quem me ajudou a chegar até aqui. Onde agradeço em silêncio a quem fez e a quem ainda faz parte da minha educação. Aos Amigos e aos Mestres que o foram também!

Os bons dias a Coimbra, que me são essenciais, fazem parte de uma tentativa de eternizar aquilo que é efémero, de fazer durar no tempo aquilo que me escapa entre os dedos como grãos de areia dourada e delicada.

Para quem nĂŁo sabia ainda muito bem o que queria, Fisioterapia parecia uma escolha válida. Entre a paixĂŁo pelas Letras e o sentimento de querer fazer algo bom e Ăştil por alguĂ©m, este Ăşltimo venceu na escolha final.

Enquanto Caloira, e ainda muito verde na área, deixava-me fascinar pelas histĂłrias que ouvia dos Mestres já formados, nĂŁo sĂł sobre a alegria que se recebe e que se proporciona, mas tambĂ©m sobre o quanto se aprende enquanto profissional e enquanto ser humano, atravĂ©s das incrĂ­veis situações de superação que nos passam literalmente pelas mĂŁos (será que podemos dizer que somos quase como uns escultores do corpo humano?)…

Apesar de, na altura, saber que a Fisioterapia actua ao nĂ­vel da prevenção e promoção da saĂşde, da investigação… nĂŁo deixava de me fascinar a área mais conhecida pela generalidade das pessoas – aquela que se relaciona com a reabilitação. Engloba sempre um conjunto de pessoas que sofreram alterações (umas mais drásticas que outras) nas suas vidas e que, ao longo deste processo, nem sempre aceitam a condição em que se encontram. SĂŁo, por vezes, situações muito delicadas, nem sempre fáceis de contornar, exigindo por isso, da parte do Fisioterapeuta uma grande capacidade para entender todo aquele mundo que pertence a quem Ă© tratado por ele. Torna-se fundamental adquirir (para quem ainda nĂŁo desenvolveu) uma caracterĂ­stica tĂŁo importante no ser humano – a empatia!

Cada pessoa tem as suas fraquezas, as suas angĂşstias, as suas limitações (quer sejam de ordem fĂ­sica, psicolĂłgica ou atĂ© mesmo financeira), mas tambĂ©m cada uma delas tem os seus pontos fortes, os seus talentos e as suas inspirações. Há que ter em conta toda a personalidade desse alguĂ©m que se apresenta perante a nossa pessoa. Há inĂşmeras formas de resolver um problema e há que adequá-las Ă s caracterĂ­sticas desse alguĂ©m. Sobretudo, ter sempre em mente que as necessidades e possibilidades sĂŁo diferentes em todas as pessoas.

Hoje, aluna do 3Âş ano, comprovo tudo isto com a conclusĂŁo de dois estágios maravilhosos que pintaram parte do meu percurso acadĂ©mico.

O primeiro estágio possibilitou o contacto com várias faixas etárias (sendo a sĂ©nior a mais trabalhada) permitindo perceber quais as melhores formas de as cativar e qual a dinâmica dos diferentes grupos. A população idosa Ă© muitas vezes esquecida e menosprezada na sociedade, mas há toda uma histĂłria e tradição que ela carrega, cheia de ensinamentos e lições de vida. Reavivando as minhas aulas de Psicologia, vejo e percebo os benefĂ­cios de aglutinar as instituições de idosos com as instituições de crianças, nĂŁo sĂł para ajudar a combater a solidĂŁo dos mais velhos, proporcionando momentos de carinho e alegria entre as gerações, mas tambĂ©m para desenvolver uma linha de pensamento nos mais novos em que se dĂŞ valor aos mais velhos, mudando assim, aos poucos, a visĂŁo nada saudável e pouco realista que o mundo tem acerca da importância da população sĂ©nior. Há que dar valor a quem, no passado, construiu um futuro que Ă© agora o nosso presente.

O segundo estágio, num contexto de clĂ­nica privada, completamente diferente do primeiro, permitiu-me treinar a adaptação da minha postura perante diferentes situações e a aprender a gerir aquilo que sentia, ensinando-me tambĂ©m a criar a tĂŁo conhecida «máscara profissional». Percebe-se que as pessoas vĂŞem o Fisioterapeuta como alguĂ©m de confiança e Ă© no ginásio de Fisioterapia onde, muitas vezes, partilham grande parte da sua histĂłria, dividem nĂŁo sĂł as suas alegrias, mas tambĂ©m o peso dos seus problemas.

Apesar de terem sido semanas intensas tanto a nĂ­vel fĂ­sico, como a nĂ­vel emocional, sĂŁo experiĂŞncias que levo para a vida e posso dizer que guardo na dita bagagem acadĂ©mica (que, embora ainda seja pequena, e dado o infinito mundo de conhecimento existente, se anseia por fazĂŞ-la crescer cada vez mais) um sentimento de enorme gratidĂŁo quer para com as equipas que me acompanharam sempre com a sua disponibilidade e atenção, quer para com os utentes que tive sob a minha responsabilidade e supervisĂŁo, pois eles, sem se aperceberem, dĂŁo-nos mais a nĂłs do que nĂłs a eles. E nem sabem o quanto aprendemos e o quanto ficamos a admirar a sua força, motivação e determinação!

E hoje, quase finalista, digo que Fisioterapia Ă© mais do que uma profissĂŁo. É (aprender a) ser Humano!


Ambas as fotografias foram tiradas por mim no local do meu segundo estágio: Idealmed - Unidade Hospitalar de Coimbra.

TambĂ©m podem encontrar o meu texto aqui: Uniarea
Ponte de D. LuĂ­s I / Luiz I, Porto.
Posso quase dizer que andei sempre a pé de uma ponta da cidade à outra, salvo algumas excepções. Também isto é semelhante a Coimbra... fica tudo tão pertinho que é muito mais enriquecedor andar pelos nossos próprios pés, com ou sem mapas para nos guiar, conhecendo e perdendo-nos nas pequenas, mas doces e ternurentas ruas.

Comecei pelo Mercado do Bolhão, onde se pode encontrar a fruta, os legumes, o peixe fresco e os enchidos, os habitantes e trabalhadores mais genuínos, os naturais do Porto! Segui pela infinita Rua de Santa Catarina, onde finalmente encontrei o Café Majestic, um espaço brutalmente bonito! Continuei o meu caminho até passar pelo Coliseu do Porto e, um pouquinho depois, pelo Teatro Rivoli.

A caminho da Ponte de D. LuĂ­s I, passei pelas Muralhas Fernandinas, mas, infelizmente, havia obras a decorrer e nĂŁo consegui fazer a visita. Digamos que tenho uma desculpa para voltar mais rapidamente ao Porto! Caminhei entĂŁo, para trás, em direcção Ă  SĂ© e ao Paço/Palácio Episcopal. O Palácio Ă© de uma grandeza que eu nĂŁo imaginava e de uma riqueza acima das minhas expectativas. Tem talvez a vista mais privilegiada para a zona da Ribeira e da Ponte de D. LuĂ­s I, a minha azulinha. VĂŞ-se tudo, tudo, tudo! É maravilhoso! 

Daqui, desci as Escadas das Verdades com destino Ă  Ribeira, a tĂŁo esperada paragem.

O azul gentil da Ponte de D. LuĂ­s I recebe-me com a sua calma, com a sua tranquilidade. Ouve-se o piar inconfundĂ­vel das gaivotas, lembrando-nos que o coração do mar nĂŁo está longe e que o Douro está a uns passos da nossa alma. Ouve-se o metro que passa de quando em quando, os turistas que se maravilham com a perfeição das sombras da cidade e que sorriem entre eles, ainda que nĂŁo pertençam Ă  mesma nação. Se escutar mais profunda e atentamente, consigo ouvir alguns mĂşsicos que fazem vibrar as suas cordas no ar do Porto. A Ribeira tem uma magia que penetra nas fendas de qualquer alma humana que por ali passe.

Ă€ tarde, sentei-me mesmo no cais, Ă  sombra de uma árvore fresca, de onde conseguia ver toda a riqueza e beleza desta paisagem que há tanto desejava conhecer, ver com os meus olhos e sentir com o meu corpo. Sinto a brisa que me beija os cabelos, a mesma que abraça as águas vivas e azuladas do Douro, que certamente regam histĂłrias antigas, dando-lhes uma leve ondulação. Naquele momento (dura)douro, mas que me pareceu demasiado curto, fugaz, infelizmente efĂ©mero, para conseguir absorver aquela essĂŞncia, desejei poder eternizar aquela vista, aquela vivĂŞncia, num cantinho recĂ´ndito da minha memĂłria para poder voltar, sempre que quisesse, Ă quelas recordações douradas sem fim. Desejei poder gravar no coração cada detalhe, cada silĂŞncio e cada gesto da prĂłpria paisagem. Desejei, por momentos, tornar-me Douro, tornar-me Porto, carago! E sĂł nĂŁo consegui porque aqui nĂŁo nasci, nem cresci. Mas agora, um pouquinho do Porto está em mim e um pedacinho de mim ficou no Porto. É assim que deve ser. Juntar momentos como estes e crescer por dentro.

E agora, nĂŁo uma despedida, mas umas palavras em jeito de «AtĂ© já» Ă  moda do Porto: «BibĂł Porto, carago!».

Mercado do BolhĂŁo
Rua de Santa Catarina



SĂ©.

SĂ©.















Todas as fotografias foram tiradas por mim, pelo Porto, no mĂŞs de Julho de 2017.
Estação de São Bento, Porto. Julho de 2017.
Um cinzento e umas cores muito escuras mas com muita vida receberam-me de braços abertos entre o verde natural e contrastante das árvores que dançam com o vento. A Estação de SĂŁo Bento foi o primeiro local que pisei na cidade, assim que saĂ­ do comboio. É a estação ferroviária mais bonita que vi atĂ© hoje! As suas janelas e os relĂłgios enormes tĂŞm um aroma a Porto. 

Uma sensação incrĂ­vel de leveza, de frescura na alma, de algo que me revitaliza por dentro, surgiu em mim assim que pisei o chĂŁo da cidade. Percebi que seria uma «cidade-casa», tal como Coimbra, embora Coimbra tenha um peso emocional muito maior por tudo o que já lá vivi, nestes Ăşltimos anos. Tenho a certeza que, se estudasse (ou se um dia estudar) no Porto, este tornar-se-ia tambĂ©m uma segunda casa.

Comecei esta aventura de cortar a respiração pela torre conhecida por alguns como o ex-lĂ­bris da cidade - a Torre dos ClĂ©rigos. Depois de ver a exposição no Museu, segui para a Igreja, incrivelmente bonita, com toques muito detalhados, mas suaves, com cores frias que se derretiam com os pormenores dourados. 

Depois da Igreja, subi mil escadas em caracol, antigas, gastas de tanto pisadas, de tanto vividas, cheias de rugas, essas cicatrizes feitas pelo tempo. Da Torre tem-se uma vista privilegiada de toda a cidade e do canal onde corre o seu sangue, o Douro, ao som do doce e leve cantar dos sinos. No fim, lá no alto e ao sabor do vento fresco, eis que o Porto se apresenta, perante os nossos olhos, em todo o seu esplendor. O Porto. O meu genuĂ­no e amado Porto, posso já eu dizer, finalmente! Muito prazer!

Estação de São Bento, Porto. Julho de 2017.

Clérigos, Porto. Julho de 2017.
Clérigos, Porto. Julho de 2017.
Clérigos, Porto. Julho de 2017.


Vista da Torre dos Clérigos, Porto. Julho de 2017.

Vista da Torre dos Clérigos, Porto. Julho de 2017.

Todas as fotografias foram tiradas por mim.
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