The Ginger Bookworm

Desde que o bem-me-quer Ă© afiliado da Bertrand e da Wook, que tento partilhar mais coisas sobre livros, sejam elas opiniões mais desenvolvidas ou comentários mais breves. As Ăşltimas e as prĂłximas publicações (que já estĂŁo agendadas para as prĂłximas semanas) sĂŁo breves comentários sobre cada livro que li no passado.

Como devem imaginar, este foi um processo que demorou imenso tempo a terminar, não só porque algumas histórias já não estão tão presentes na minha memória (daí o carácter sucinto de algumas dessas publicações) mas também porque os livros são muitos, alguns deles já vendi e outros nunca cheguei a comprar por ter lido as obras requisitadas em bibliotecas nos meus tempos de estudante.

PORQUĂŠ?

Faço-o para ter para mim mesma um pequeno registo dos livros que já li e dos que ainda pretendo ler.

Esta ideia surgiu-me quando a Andreia do blogue As gavetas da minha casa encantada partilhou connosco a aplicação Desvaneios. Gostei imenso do conceito porque Ă© uma plataforma bastante Ăştil para nos guiarmos em relação Ă s nossas leituras, livros que já temos em casa e listas de desejos, que estĂŁo em constante actualização. É muito intuitiva e desde que a instalei que nĂŁo parei de utilizá-la, simplesmente para uma organização pessoal (se quiserem espreitar, o meu nome de utilizador Ă© @carolinaferreira).

À medida que ia pesquisando títulos para inserir em cada lista, pensei que de facto havia bastantes livros que já tinha lido e que queria partilhar convosco, mas a probabilidade de voltar a lê-los (para conseguir elaborar uma crítica mais desenvolvida) era muito baixa uma vez que é raro eu reler uma obra completa, pois quero aproveitar esse tempo para conhecer novas obras e novos autores. Assim, decidi dedicar uma pequena publicação a esses livros de modo a não ficarem esquecidos e de forma a dar-vos a conhecer, sem ser maçadora, o título e um pequeno resumo da história.

Outras das publicações da rubrica BIBLIOTECA são naturalmente mais desenvolvidas, ora por serem acerca de obras lidas há pouco tempo, ora por me terem marcado mais e haver uma maior margem para discussão de personagens, enredo, narrativa e outros aspectos relevantes de cada livro. Além disso, a nossa capacidade de analisar e descrever também se desenvolve com o tempo, pelo que, as obras lidas mais recentemente terão certamente uma crítica com maior e mais complexa bagagem.

Espero poder retomar as publicações de obras que leio actualmente em breve, mas não podia deixar de partilhar as mais antigas por aqui, porque acho que me faz sentido, por uma questão pessoal de organização, mas também porque poderá haver alguma obra que seja do vosso interesse.




Porto: um autor que nunca li mas que está na minha estante
Camilo Castelo Branco

É A Queda dum Anjo que está nas minhas estantes há mais de dez anos, mas que ainda não me despertou completamente a atenção. Sentia que não era o momento de me lançar nas leituras de Camilo. Até este ano lectivo. Tive uma Professora de Escrita de Biografia (Maria Antónia Oliveira) que parece ter incidido a sua tese de doutoramento nesta personalidade. Passei um semestre a ouvir comparações com Camilo e fiquei muito interessada quer na sua obra quer na sua pessoa!



Aveiro: um livro para morar - CrĂłnica, Saudade da Literatura, de Manuel AntĂłnio Pina

Foi no semestre passado, em Arte da CrĂłnica, com o cronista e recente professor Rui Cardoso Martins que descobri algumas obras encantadoras. A minha preferida foi esta a que foi tambĂ©m a minha primeira obra lida de Manuel AntĂłnio Pina. Fiquei rendida Ă s suas crĂłnicas pela simplicidade e beleza que ele conseguia colocar num texto banal, num tema quotidiano. Nos mais triviais assuntos deixava cair a poesia na sua prosa e Ă© delicioso lĂŞ-lo!



Coimbra: um livro do meu autor favorito - Coral, de Sophia de Mello Breyner Andresen

É sempre difícil escolher um livro ou um autor favorito porque a nossa personalidade vai mudando, vamos conhecendo coisas novas, identificando-nos com outros assuntos e os nossos próprios gostos vão apurando. No entanto, até hoje, a escritora, poeta, que mais admirei sempre foi a Sophia. E, no meio de tantos livros a cheirar a mar e a Grécia, é complicado escolher um apenas, porque, para mim, toda a sua obra poética é digna de ser lida.



Leiria: um livro para reler - Quem disser o contrário é porque tem razão, de Mário de Carvalho

Para quem gosta de escrever, vale sempre a pena consultar e espreitar os livros de bons autores que vão saindo por aí sobre escrita criativa, de ficção, entre outros géneros literários. Não é que se aprenda a escrever de forma divinal, para isso tem de se ler muito, muito, muito. Mas é importante estar alerta para determinados erros comuns ou fatais na elaboração de um enredo ou na construção de uma narrativa.



Ericeira: um livro que me transporta para uma zona do país que gosto - Abraço, de José Luís Peixoto

Este livro é também um conjunto de crónicas que foram sendo publicadas ao longo dos anos em diferentes jornais e plataformas. Por isso, algumas falam de Coimbra, outras de Lisboa, outras de casa, do próprio lar, algumas da infância e do Alentejo... Remetem-me para memórias muito bonitas que me fazem sorrir e me deixam tranquila e serena.



Guimarães: um livro que deveria ter uma adaptação cinematográfica - Os Livros que Devoraram o Meu Pai, de Afonso Cruz

Terminei de lĂŞ-lo há umas semanas e tocou-me bastante. Sabem aquela sensação de nĂŁo saber o que fazer depois de acabar uma histĂłria admirável? Este Ă© um desses casos. É um livro pequeno, lĂŞ-se bem numas horinhas, mas Ă© facilmente imaginável como um filme. Apesar da histĂłria ser diferente e em nada ter que ver com Coração de Tinta (ver trailer), a forma como a narrativa me passava pela cabeça remetia-me para este gĂ©nero de filme, que Ă© indicado tanto para os mais pequenos como para os graĂşdos.



Sintra: um livro de poesia - publicação da mortalidade, de Valter Hugo Mãe

O primeiro contacto Ă© intenso, mas o melhor Ă© ir lendo-o com muita calma, relendo versos e poemas para ir absorvendo a essĂŞncia deste livro.



Bragança: o primeiro autor que li -  Sophia de Mello Breyner Andresen

Não é segredo para ninguém.



Gaia: um livro infanto-juvenil - HistĂłrias da Terra e do Mar, de  Sophia de Mello Breyner Andresen

O primeiro que me foi oferecido, já em adolescente.



Lisboa: um livro que mencione outras expressões artísticas - A Doença, o Sofrimento e a Morte entram num bar, de Ricardo Araújo Pereira

O Ricardo mostra-nos, para além de obras literárias, filmes, quadros, tudo o que seja possível relacionar com a escrita de comédia.



Braga: um livro passado na minha estação do ano favorita - A Menina do Mar, de  Sophia de Mello Breyner Andresen

NĂŁo me recordo se a histĂłria Ă© passada na Primavera ou no VerĂŁo, mas sĂł o facto de me remeter para a praia, para o mar e para a infância, Ă© o suficiente para ser a minha «estação» preferida.



Óbidos: o livro com a capa mais bonita - Deixem passar o homem invisível, de Rui Cardoso Martins

Esta edição é de facto uma das mais bonitas de sempre. Sou admiradora dos azulejos portugueses, daquele azulinho e branco, do amarelo vivo. E esta capa tem tudo isso!



CATEGORIA EXTRA - LAGOS - Um livro de um autor que quero muito começar a ler - Manual de Sobrevivência de um Escritor, de João Tordo

João Tordo, apesar de estar na minha lista de leitura há algum tempo, é um autor que nunca li. Saiu há pouco este livro que, tenho a certeza, será a minha estreia nas suas obras.



De toda a lista, li 9 livros.




TOP 3

- Os autores que habitam há mais tempo cá em casa:
José Saramago
Sophia de Mello Breyner Andresen
José Luís Peixoto

- Os autores mais recentes:
Abel Barros Baptista
Mário de Carvalho
Valter Hugo MĂŁe

Obrigada, Andreia, por esta iniciativa e pelo desafio tĂŁo bonito que Ă©!

Nota: Este blogue Ă© afiliado da Bertrand e da Wook. Assim, ao adquirirem obras atravĂ©s dos links disponibilizados, estĂŁo a contribuir para o seu crescimento literário. Obrigada! Bem-Vos-Quero 🌼📚
Fotografia do Desafio


A Andreia, do blogue As gavetas da minha casa encantada, lançou este desafio para celebrar, a dia 22 de Maio, o Dia do Autor PortuguĂŞs (VER AQUI ). 

Como nesse dia me era impossível participar por ainda me encontrar em avaliações, decidi adiar as minhas publicações referentes ao desafio para mais tarde, com o intuito de dar o melhor de mim em cada uma delas.

E, finalmente, chegou a altura de fazê-lo! A minha lista sairá já no próximo dia 11 de Julho. Curiosos?

Vou transcrever-vos a publicação original para quem ainda não conhece ficar a par desta iniciativa maravilhosa.

«1. O QUE É?
Uma tag/um desafio para celebrarmos o dia do Autor PortuguĂŞs.

2. QUANDO? ONDE?
No dia 22 de maio, partilhando a participação nas nossas plataformas  digitais [blogue, instagram, facebook, youtube, entre outras].

3. OBJETIVO?
A finalidade consiste em respondermos a um conjunto de 12 categorias, recorrendo apenas a autores nacionais. E criando, por consequĂŞncia, uma lista de sugestões livrĂłlicas. Se pretenderem, podem sempre elevar a fasquia e utilizar as categorias para uma TBR mensal - e podem fazĂŞ-lo selecionando todas ou sĂł aquelas que mais vos despertam interesse.

4. AS CATEGORIAS
Uma vez que estamos a valorizar a literatura e os autores nacionais, senti que tinha toda a lógica denominar as categorias através de localidades portuguesas. E, assim, nasceu a seguinte lista.

5. EPĂŤLOGO
Para tornar a partilha mais pessoal, escolham uma zona, criem um tema extra e desafiem-me a selecionar um livro para a mesma [também podem, e devem, responder à categoria que idealizaram].

6. PARTILHA
- Mencionem quantos livros da lista conseguiram ler;
- Partilhem a lista sĂł no dia 22/05 [sexta-feira];
- Utilizem #almalusitana_asgavetas, para que eu consiga ver.

7. EXTRA
Para além de desenvolver um meio termo entre as sugestões e a TBR, também farei um top 3 com:
     - Os autores que habitam há mais tempo cá em casa;
     - Os autores mais recentes.»

Dia 1 de Janeiro de 2015 assisti ao pĂ´r-do-sol.
Já não o fazia há imenso tempo e começar o ano assim fez-me ter calma!
Falei com uma pessoa muito importante para mim que já cá não está há algum tempo e que me faz imensa falta... Pode parecer estúpido, mas faço-o porque a minha avó foi muito importante para mim e simplesmente não consigo acreditar (mesmo depois de tanto tempo) que ela já não está Aqui, Agora.

Desabafei com ela e pedi-lhe para que as coisas más morressem!

Subi ao terraço da casa do meu padrinho e fiquei ali, sozinha, no silêncio, no frio, com os cabelos ondulados a dançar com o vento triste. Olhei para o mar, para o horizonte, para o céu. Havia tons de lilás a molharem-se na água salgada, como se o céu fosse uma aguarela. O sol estava cor-de-rosa. Ouvi o ar e o mar e as nuvens e o sol. Senti, falei, chorei, sorri. Tive Saudade. Tenho Saudade. Sinto-me perdida. Quando começo a chorar, não consigo parar.

Anoitecer de Março

Numa tarde de Março, aqui em casa, só a ouvir a Natureza.
Colocar volume no máximo para poder ouvir a vida do início da noite.
Corvos, um pássaro e outro, morcegos. Cães.
A noite a chegar, pé ante pé.

Em resposta ao Projecto da Andreia. Espero que tenham gostado!

Objectiva.

Luz.

A câmara permanecia estática, sem movimento, vibração ou qualquer outro factor que pudesse alterar aquele estado de serenidade, de perfeição na ausência de movimento. Esperava pelos momentos certos, pelos instantes únicos que existem no decorrer do tempo, pelo raio de luz solar que iluminava sublimemente a gota de orvalho cintilante que escorregava da folha verde para o chão, pelo bater compassado das asas de um beija-flor que, tal como o nome permite concluir, voa sobre jardins perfumados, dando beijinhos às princesas do baile primaveril.

Impaciente, a câmara largou um som como um clique e captou uma imagem quase digna de ser chamada perfeita. Nesse instante, toda a essĂŞncia da (im)possibilidade da futura/passada refeição do camaleĂŁo ficara gravada na fotografia. Toda a imagem englobava uma certa complexidade nascida da Natureza, uma esquematização do ecossistema e das interacções entre as espĂ©cies. Mas nĂŁo sĂł o ambiente foi captado. TambĂ©m a temporalidade da acção permanecera naquela «tela». NĂŁo Ă© bem nĂ­tida para os que olham apenas. É necessário ver! É aquilo que ajuda algo a ser o que Ă©. Um estado provisĂłrio. Está presente em todo o lado, ao mesmo tempo, quase como Deus – omnipresente – mas nunca como ele – Perfeito.

Podemos verificar que o Tempo nĂŁo Ă© perfeito… por vezes, tem demasiada pressa e comporta-se como uma criança, inclinando-se para o caminho oposto daquele que deveria ser seguido. A pressa traz consigo a imperfeição e, por isso, pedi ao Tempo que tivesse calma, para ser possĂ­vel a aproximação (embora escassa) Ă  perfeição. E ele, teimoso, insistiu, como sempre, em ter pressa!

Em resposta ao Projecto da Andreia. Espero que tenham gostado!





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