quarta-feira, 2 de agosto de 2017

amanheci

Sintra. 2010.

agarraram os meus braços e
amarram as minha pernas às
raízes da árvore que eu não escolhi

foi como um suicídio forçado

absorvi, contrariada e angustiada,
o sangue da planta

nas minhas veias corre uma 
seiva velha, centenária
que me chupa a vontade
de ir mais longe

envelheci com as ervas
em dias gélidos e noites cerradas

perdi o jeito da Vida e 
ganhei o gesto do Acaso

desfiz-me em flocos de neve
desfiz o mundo de lã
em pedaços de algodão

por fim
amanheci

3 comentários:

  1. Por vezes, ficamos presos a bases que não são as nossas. E isso consome-nos por dentro. Até ao momento em que libertamos as amarras e passamos a olhar para tudo aquilo com uma mente mais aberta. Talvez nem sempre consigamos ver a beleza das coisas, porque nos forçam a ficar.

    O poema está fabuloso!

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  2. r: Sim, sem dúvida! É a demonstração de que crescemos e que fomos capazes de avançar.
    Ora essa, não tens que agradecer :)

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  3. Belo poema. Adorei :)

    Beijinho
    https://diamonds-inthe-sky.blogspot.pt/

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