The Ginger Bookworm



Agora, como alguém me disse, é preciso aproveitar as asas e voar em direcção aos sonhos, vencendo os ventos fortes!

(Fotografia da minha autoria. Por favor, não a utilizar sem autorização prévia.)
Vou descobrir o meu mundo. Por ruas de cidades clássicas visitarei todos os alfarrabistas que encontrar. Com uma máquina fotográfica sempre comigo para registar os momentos mais marcantes que um dia recordarei com nostalgia... Um caderno e um lápis, materiais indispensáveis para mim, servem para não deixar fugir as palavras apressadas que chegam das experiências fantásticas e insistem em partir de imediato.
Há que seguir para a frente, para os lados, para cima, para o Mundo! Deixar o medo em casa e aventurar-me à Vida! Ela é tão bela e tantos a vê-la passar pela janela, alheios à fuga da felicidade. Não! Vamos. Vamos para a rua. Vamos conhecer. Que venham ruas novas e encantadoras, gente diferente, com quem possamos aprender algo. Sejamos aquele(a) que quer mais. Que faz por ter e por ser mais! Só a viver se aprende a viver. Por isso, vivamos todos para sabermos viver!
Que sejamos a pessoa que se lança no conhecimento e que chega longe por seu pé. Que sejamos o vencedor que alcança vitória depois do esforço árduo e do empenho aplicados numa batalha.
Jardins frescos para descansar, para me deitar ao lado do rio, sentir a brisa que me deseja e desejar a brisa que me sente. Entrar mais na Natureza e inserir o meu ser com a(s) existência(s) que me rodeia(m)... Estar em harmonia com o cosmos. Desfrutar do que há agora e das memórias que tecemos ao longo de jornadas impensáveis e fantásticas. Levar o melhor das pessoas connosco e deixar para trás, no esquecimento, aquilo que não é tão bom! Partilhar o que vivemos, ensinar o que aprendemos e continuar a viver neste ritmo maravilhoso e nesta experiência que é conhecermos melhor a nossa pessoa e o mundo que nos foi dado para respirar.


Não compreendo o amor.

Coração e pensamento em alvoroço
Sem saber o que realmente sinto.

Agonias, sinto.
Mas o amor?
O que é o amor?

Não compreendo o amor.

O amor compreende-se?

(data de 2014)

Há um certo e misterioso encanto nos livros mais antigos: a história que está por trás de cada um desses objectos místicos, as rugas dos rostos que já os leram, as mãos que já lhes pegaram, as vidas que por eles já passaram, os nomes e os apelidos de quem lhes pertenceu. Porque nós é que pertencemos aos livros e não o contrário.

Nós é que caímos nas suas páginas em jeito de salvação. Nós é que nos agarramos às suas histórias como que a uma bóia, fugindo do afogamento que é a ignorância e algumas das porções de realidades.

Nós é que, nas vicissitudes que a vida e a morte nos trazem, pertencemos inevitavelmente aos livros, a todos os livros, mas a uma una história - a do (Uni)Verso.


I see the way you move

It's fluid
Be here by my side
Got nothing to hide
I know that you're hurting
I see the tears behind those eyes
And I can't wipe them clear
Your love is like gold to me
But you hold me closer to the light
With the final bullet inside
Oh, I'm surrounded by
But you throw me into the deep end
Expect me to know how to swim
And I put my faith in someone else
'Cause I will be just fine
Welcome to the jungle
Are you gonna dance with me
Welcome to the jungle
You got to close your eyes and see
Welcome to the jungle
Are you gonna dance with me
Well, hold on, well, hold on
Suit and tie with the black jeans on and I'm paralyzed
'Cause I think you got something like the biggest soul I've ever seen
And I think you're the one
Suit and tie, with the curly hair making your way with that step and stare
So tell me real, do you feel anything
Ashes to ashes
And the embers are ablaze
Oh, I gotta rise among you, though then I think about your face every day
But you pull me closer to the light
You wouldn't find a bullet inside
Only if you magnify
Welcome to the jungle
Are you gonna dance with me
Welcome to the jungle
You got to close your eyes and see
Welcome to the jungle
Are you gonna dance with me
Well hold on, well hold on
Ilustração retirada do Pinterest.


Há pessoas que nos despem a alma, que conseguem perceber quem somos e o porquê de o sermos! Há pessoas que, quando nos agarram as mãos com a sua vida e o seu sorriso, nos fazem sentir amados, únicos e úteis neste mundo. A sensação de pertencer a algum lado. Há olhares que nos ficam gravados em pedaços de memória e que nos chegam ao mais profundo do nosso interior. Há sorrisos que nos fazem sorrir! E esses, querida amiga, são aqueles que nos fazem voar nas asas de um sonho, são de quem não conseguimos viver com a sua ausência, são os sorrisos delas e são também a nossa vida!
Há amor que não se confunde e há pessoas que amamos verdadeiramente, não havendo qualquer dúvida disso. Há actos que não se explicam, e outros que simplesmente completam o sentido das palavras únicas do mundo que são cuidadosamente escolhidas por quem as declama, como num poema de amor cantado nos crepúsculos e nas auroras frescas em cima de um terraço. Há alegria que é causada pelos momentos e há felicidade que é criada pelas pessoas inesquecíveis.
Daria, sem margem de dúvida, a minha vida por pessoas assim, pelas pessoas que me fazem sentir amada, mas mais importante, pelas que amo!


Em dias de Saudade, percebeu que o que sentia agora já não era amor! Percebeu que o amor morrera e que o que reinava agora em si eram apenas memórias desvanecidas de um tempo que não tinha regresso!
Em dias de Saudade, ela desesperava, respirava fundo e voltava a si. Depois, fugia outra vez do calor de corações!
Em dias de Saudade, desistiu de relembrar o amor e de amar. Não conseguia fazê-lo com mais ninguém. Estava tão presa ao que já não existia que se tornou incapaz de ser feliz com outro alguém!



Eu morria e a minha neta lia as palavras que eu havia escrito em vida.
Eu morria e a minha neta contava-me as minhas histórias.
E ela não sabia a felicidade que me proporcionava naqueles momentos tão agoniantes. Eu estava a morrer e estava a morrer feliz! A minha neta estava a ler-me e estava a ler-me feliz! 
Eu tinha uma vontade inexplicável de lhe agradecer e dizer o quanto era bom morrer a ouvir poesia, mas as minhas forças não o permitiam. Não sei que expressão tinha em meu semblante... se caracterizava o meu estado de espírito maravilhado ou se transparecia as dores do meu corpo já velho e gasto. 
Não conseguia falar, nem mexer as mãos para agarrar as dela. Queria tanto oferecer-lhe um último sorriso e espantar as lágrimas que lhe choviam dos olhos, numa tempestade incontrolável e num desespero mudo! A sua voz tremia ao som da melodia de prosa e poesia molhadas de água pura. As suas mãos vacilavam, jovens, incertas e cheias de dúvidas para com a vida. O seu rosto, tão belo como o da sua mãe, brilhava num tom natural de quem tem coração de ouro! 
Os meus olhos seguiam-na, incansáveis e já nostálgicos, com medo de a perder! 
Percebi que eu não a estava a perder... ela é que me perdia a mim!


A capacidade para ver o mundo com outros olhos está a esvaecer por entre as «brumas de uma memória» que parece apagada também. Há falta de vontade de continuar, por algum motivo. Há, em casos mais graves, falta de vontade de começar. E é isto que me assusta! 
Como pode um povo sobreviver sem cultura? 
Como pode um povo viver sem valorizar aquele que dá conteúdo, em matéria e em sonho, ao Amanhã? 

Eu acho que NÃO pode.

É verdade que é o professor que ensina o aluno a pensar e, mais importante, a valorizar o saber pensar!

Mas também é verdade que o professor, sozinho, sem auxílio da vontade do aluno e com acréscimo das desvantagens diárias desgastantes que o rodeiam atualmente não consegue fazer o seu trabalho, ou, se consegue, com menor rendimento do que o dito «normal».

Precisamos de professores que nos incentivem, mas também precisamos de alunos que dêem aos professores vontade de continuar.

Sabemos nós que os professores são heróis, não deuses e, por isso, capazes de grandes feitos, não de milagres.

Pergunto então porque é que esta profissão está a ser cada vez mais desprezada, se é com ela que se fazem mundos...


- Se eu fosse inventor, seria inventor de cidades! - dizia o João com grande entusiasmo - Um grande inventor de cidades. Desenharia Veneza de manhã, Paris à tarde e Londres à noite!
- E como pintarias Veneza, meu pardalucho? - perguntava a avó encantada com a determinação espantosa do seu neto.
- Com tintas, avó! E com alma, como todos os pintores famosos.
- Que artista! E Paris?
- Em Paris desenhava um «A grande» de ferro e um rio de água muito azul, com barquinhos pequeninos a nadarem à sua volta...
- Mas os barquinhos e a água muito azul são de Veneza, João!
- Oh avó, eu não te disse que ia ser inventor? Estou a inventar... Paris não se chamava Paris, mas sim Sirap, Veneza seria Azenev e Londres seria Serdnol!
- Que nomes tão estranhos, João!
- Não são nada! São os nomes das cidades ao contrário!
- Ah, estou a ver... muito original, sim senhor!
- Eu disse-te, avó, eu ía ser um grande inventor de cidades.
- Oh João... e países? Não queres inventar países também?
- Não, avó. Os países são muito difíceis. Têm  muitas cidades e depois eu ficava muito cansado.
A avó, deliciada com a autonomia do seu João, deixava-se levar pelas histórias que nasciam naqueles diálogos extraordinários.
- Tens razão, João! É muito importante descansar e ter tempo para dedicar à família e aos amigos!
- Não te preocupes, avó! Eu não vou fazer mais do que uma cidade por semana... e à tarde, quando sair do meu trabalho, venho visitar-te e contar-te que cidade é que estarei a inventar.
A avó deixou-se em silêncio, a sorrir e a sentir o seu João a crescer, a crescer até ser mais alto do que ela. O pequeno agarra numa folha branca, num pincel, nas aguarelas e no copinho com água e afirma com uma espontaneidade maravilhosa:


- Avó, avó, já sei! Hoje, vou inventar uma cidade inteira e vai ser a mais bonita do mundo. Vou chamar-lhe «A Cidade das Avós»!


Ouço um silêncio que me assombra nesta noite. O tiquetaquear do relógio faz-me tremer e leva o meu estômago a dar sinais de ansiedade. O crepitar de objetos perdidos no quarto, as asas de uma mosca, o deslizar do carvão no papel, a minha voz baixa e trémula que se deixa sair cansada.

Ouço-o com mais e pormenorizada atenção: um segundo relógio – o relógio de pulso – que está nas gavetas ao fundo do quarto, um carro ou outro que passam na estrada longínqua e um nada, um zumbido fino e oco que me atravessa a cabeça da direita à esquerda, de cima a baixo, sem deixar rasto na minha imaginação…

Ouço os sonhos dos sonhadores, os pensamentos dos pensadores… Ouço as estrelas a brilharem, o sol a explodir, a lua a cantar e o universo a expandir. Ouço os buracos negro
s a sugarem a luz e o barulho inexistente do cosmos, as galáxias jamais conhecidas, outros buracos negros, mais luzes, mais estrelas, luas, sóis e planetas. Tudo! E, ao mesmo tempo, Nada!

Ouço-me a mim, o som mais difícil de ouvir, mais difícil de chegar, de encontrar. De entender.

Fiz-me gritar. Sem som.

E sem som, ao gritar, consegui ouvir-me!
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