The Ginger Bookworm

 


𝙏𝙧𝙞𝙜𝙜𝙚𝙧 𝙒𝙖𝙧𝙣𝙞𝙣𝙜𝙨
- Homofobia, Violência, Preconceito, Machismo, Discriminação.

4 ⭐

Esta história é a de Crisóstomo, um pescador solitário que, quando chega aos quarenta anos, enfrenta a realidade de não ter tido filhos. A impossibilidade de o concretizar deixa-o, no entanto, esperançoso de que ainda possa acontecer, como um milagre qualquer. Nasce então esse sonho de perpetuar o seu ser, a sua vida através de um rebento ainda por vir. É assim que se inventará uma família pura e segura, com amor, respeito e confiança.

Camilo será, depois de um passado abandonado e sem futuro, um presente prometedor para Crisóstomo. Juntando a Isaura e o Antonino, mais tarde, formar-se-á uma casa cheia, compreensiva, um lar, no fundo.
Abordando temas tão basilares à vida humana como o amor, a paternidade e a família, O filho de mil homens, uma obra que é única na forma como aborda o afecto e as relações humanas, demonstra a sensibilidade e a prosa poética de Valter Hugo Mãe.

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BERTRAND













 



4 ⭐️


Há uns anos, li Que nós estamos aqui estreando-me com João Tordo. Por ser um livro mais objectivo e fruto de pesquisa, entrevistas e investigação, percebi que não foi suficiente para conseguir conhecer e sentir a verdadeira natureza da escrita do autor.


Desde então que tinha em mente continuar a lê-lo, para saborear a sua escrita, mas só agora aconteceu. E que pena não ter sido mais cedo. 


Apesar de este ser o segundo livro de uma trilogia, lê-se bem de forma independente.


A história conta-nos a vida de Lars, um escritor sexagenário que, mesmo estando casado com uma pessoa bastante compreensiva e até comunicativa, sente-se constantemente atormentado, num estado emocional fragilizado, num ciclo de desespero, em busca de uma forma de se encontrar e dar sentido à sua vida, de encontrar um lugar de pertença.


Num dia de Inverno, Lars depara-se com uma rapariga a dormir no seu carro. Pouco tempo depois, Lars desaparece, deixando para trás um longo casamento e um romance por publicar: O luto de Elias Gro.


A narradora é, até certo ponto da narrativa, a sua esposa e é através dos seus encontros com Xavier, seu vizinho, após o desaparecimento de Lars, que vamos conhecendo a história do casal. Entre o passado e o presente, vamos lendo e reflectindo em conversas, discussões e pensamentos sobre a natureza humana e a busca contínua pela felicidade. 


Temas como a solidão, a perda, os sonhos e a esperança vão sendo abordados (in)directamente ao longo da história, proporcionando ao leitor momentos de pura e profunda introspecção.


O Paraíso Segundo Lars D. conquistou a minha alma livrólica, numa prosa perfeita. Quero definitivamente continuar a ler João Tordo!




𝚁𝚘𝚖𝚊𝚗𝚌𝚎

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BERTRAND



𝙏𝙧𝙞𝙜𝙜𝙚𝙧 𝙒𝙖𝙧𝙣𝙞𝙣𝙜𝙨

- Morte, Luto, Suicídio, Violência.

4,5 
⭐️


Esta é uma obra literária cativante que aborda temas complexos e profundos como a solidão, o luto, a identidade, a violência e a empatia. A narrativa desenrola-se em torno da história de uma família que vive na Islândia e é contada através dos olhos de uma menina chamada Halla cuja irmã gémea, Sigridur, "foi plantada", eufemismo usado vezes sem conta para retratar esta morte prematura.

A escrita de Valter surpreendeu-me tanto! Ainda só tinha lido um livro dele (de poesia). Aqui, há uma prosa que é poética e sensível que é capaz de evocar imagens e sensações vívidas na nossa mente. A história em si é uma reflexão sobre o ser humano e como a nossa humanidade pode ser comprometida pela dor e pela perda.

O autor descreve a paisagem e a vida nos fiordes islandeses, criando uma atmosfera realista e envolvente. As personagens são retratadas de forma complexa e multifacetada, o que faz com que o leitor se prenda na narrativa facilmente.

O que mais me entristeceu na leitura foi ver a incapacidade desta mãe conseguir fazer o luto e a sua frieza e maldade para com a filha que sobreviveu. A narrativa está na primeira pessoa e é Halla que nos conta o que vai sucedendo, o veneno que ouve da própria mãe e o que esta lhe pede para fazer constantemente. Duro de ler. 12 anos. A menina só tem 12 anos. E tem de crescer a fazer-se forte, por muito que lhe custe.



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BERTRAND

















 

4⭐️


Luanda, Angola.

1975, véspera da Independência. 


Ludovica fica para trás aquando do regresso da irmã e cunhado para Portugal. Ficariam de vir buscá-la mais tarde, mas isso nunca aconteceu e só percebemos a razão no fim do livro. 


Será ela a nossa personagem central, cuja ligação às restantes pessoas estará presente ao longo de todo o livro.


Como é que, durante 30 anos, alguém poderia ter sobrevivido apenas num apartamento fechado? Escondida, ali ficou durante décadas, isolada de Angola e do mundo, sem saber o que se passava lá fora, atrás da parede que ela própria ergueu para que a não encontrassem. 


Esta senhora está cheia de cicatrizes internas e, por isso, invisíveis aos olhos de quem a olha. Era preciso ver-lhe a alma para as decifrar. São cicatrizes de dentro, de história. Aquelas que mais custam a sarar. E passou anos e anos, sozinha, a engolir dores todos os dias e todas as noites.


Finalmente, depois de alguns acontecimentos inesperados, Ludovica encontra pessoas importantes e marcantes que a vão ajudar sem que ela se aperceba da imensidão do bem que lhe estão a fazer, inconscientemente.


Vão ser essas relações que a vão fazer esquecer, questionar e arrepender-se da culpa e da vergonha que sentiu injustamente demasiado tempo. Vai perceber que perdeu a vida, a juventude, a idade adulta não só por causa de uma guerra numa terra, mas também devido à guerra interna que a atormentava tanto ou mais que os tiros que ouvia na rua. Os sons bélicos tiveram um fim sem que ela tomasse consciência disso. Para ela, o medo estava sempre lá. A esperança nunca a visitou. E só na sua ancianidade o entendeu de verdade.


Agualusa surpreende com a sua mestria de contador de histórias. Há já muito tempo que não lia nada dele.


Romance

248 Páginas

Leya, Maio de 2012


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Trigger Warnings

- Depressão; Suicídio.


 4 ⭐️ 


Eleanor Oliphant, a nossa protagonista, conta-nos na primeira pessoa e numa narrativa envolvente a sua história que, apesar de solitária, despoleta no leitor uma curiosidade genuína em saber mais sobre o seu passado e a sua infância, quais as razões que a levaram a ser como é, a seguir determinadas regras e etiquetas, a optar por comportamentos mais ou menos sociáveis em algumas circunstâncias e a, em determinadas situações, evitar o contacto humano.


Eleanor revela-se, através do seu discurso e atitudes, uma jovem honesta, humilde, bem-educada e saudável. Trabalha há vários anos na mesma empresa desde que terminou a Faculdade, o que contribui para a notabilidade da sua estabilidade profissional. Percebemos, no entanto, que há reacções de evitamento no que diz respeito às suas memórias da infância e vamos notando que há um sofrimento contínuo neste processo que se vai tornando mais intenso ao longo do tempo. Há feridas graves do passado que não cicatrizaram e que continuam a afectar o desenvolvimento das suas relações. Um mistério muito grande sobre um incêndio e uma cicatriz na face de Eleanor desperta o interesse do leitor constantemente, o que também faz com que fiquemos agarrados à leitura. Eleanor não pode fugir à dor, terá de enfrentá-la para conseguir superá-la e aprender a lidar com ela - um dos maiores actos de coragem que ela vai entendendo que não é cobardia nem fraqueza. Com a ajuda de Raymond e da sua terapeuta, (re)começará a ver a beleza da vida, nas mais pequenas coisas do quotidiano.


Uma luta incrível que vence a solidão e a depressão. Há muitas Eleanors neste mundo e é estrondoso o impacto que têm pequenos actos de bondade na vida de quem mais precisa. Este livro é uma lição sobre isto - dar a mão, dar atenção, dar amor. Nunca sabemos a dor que um sorriso pode esconder.


Romance

328 páginas

Porto Editora, 2017


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Os postais, para mim, têm um encanto especial.

É aquilo que trago sempre comigo quando visito um lugar novo - um postal local, da terra e, de preferência, pintados em aguarela.

Gosto de tê-los junto aos livros porque gosto de usá-los como marcadores. Assim, enquanto leio, relembro lugares onde fui feliz e onde criei memórias agradáveis.

Por vezes, quando encontro postais únicos e que sei que dificilmente posso reaver, não hesito e compro-os.

Foi o caso deste, que encontrei numa papelaria local da Ericeira. Uma amiga levou-me à perdição e eu não resisti.


*Capítulo 4 (último) do texto ficcional em prosa para a avaliação final da Unidade Curricular de Ficção Breve (Pós-Graduação em Artes da Escrita na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Docente: Miguel Castro Caldas). Posteriormente publicado no Jornal Académico da mesma Faculdade. Pode ser lido na íntegra AQUI. Publicarei aqui no BEM-ME-QUER um capítulo por semana.



 

Nota ( 1 ): Referência a dois versos da letra da música «Somos Livres», de Ermelinda Duarte

*Capítulo 3 do texto ficcional em prosa para a avaliação final da Unidade Curricular de Ficção Breve (Pós-Graduação em Artes da Escrita na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Docente: Miguel Castro Caldas). Posteriormente publicado no Jornal Académico da mesma Faculdade. Pode ser lido na íntegra AQUI. Publicarei aqui no BEM-ME-QUER um capítulo por semana.

 Nota ( 1 ): Referência a dois versos da letra da música «Somos Livres», de Ermelinda Duarte

*Capítulo 2 do texto ficcional em prosa para a avaliação final da Unidade Curricular de Ficção Breve (Pós-Graduação em Artes da Escrita na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Docente: Miguel Castro Caldas). Posteriormente publicado no Jornal Académico da mesma Faculdade. Pode ser lido na íntegra AQUI. Publicarei aqui no BEM-ME-QUER um capítulo por semana.


*Capítulo 1 do texto ficcional em prosa para a avaliação final da Unidade Curricular de Ficção Breve (Pós-Graduação em Artes da Escrita na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Docente: Miguel Castro Caldas). Posteriormente publicado no Jornal Académico da mesma Faculdade. Pode ser lido na íntegra AQUI. Publicarei aqui no BEM-ME-QUER um capítulo por semana.

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