The Ginger Bookworm

Foste a melhor pessoa que conheci na família. Um coração tão bom, uma alma tão límpida. Sei que poderia contar contigo se estivesses aqui. Mas não estás. E estás! E que pena para o mundo ter perdido uma pessoa como tu! Humilde, avó! Tu!
Fiquei branca como cal quando soube que não veria mais os teus olhos onde cabia o sorriso do mundo; sem fôlego quando pensei que nunca mais ouviria a tua voz, doce e ternurenta, capaz de mover mentes para outras realidades; murcha, sem vida, quando percebi que já não havias tu, que já não havia avó. E tanta falta que me fazes, tanta falta que me faz um coração como o teu.
Certamente, compreenderias o peso que sinto dentro de mim, como sempre conseguias entender.

Quando comprei este livro, estava longe de imaginar a quantidade de informação sobre escrita de comĂ©dia que ele contĂ©m. Apesar de admirar o trabalho do Ricardo, fiquei surpreendida por, em tĂŁo poucas palavras (porque o livro Ă© relativamente pequeno), haver tamanha transmissĂŁo de conhecimentos teĂłricos demonstrados com exemplos práticos de uma forma excepcional.

RAP consegue dar-nos tanto com tão pouco. A variedade de obras (literárias, cinematográficas, entre outras) que ele nos expõe para justificar e englobar premissas e observações ditas pelos grandes nomes da Filosofia e outras áreas relevantes é estrondosa.

É um livro para reler e para sublinhar, para reter sucintamente os pontos fundamentais a memorizar que podem ser eventualmente Ăşteis a quem queira escrever comĂ©dia ou mesmo a quem tenha apenas curiosidade e sede de conhecimento pelo trabalho que está por trás desse dom/talento que sĂł alguns parecem possuir e que Ă© dos mais belos neste mundo, que Ă© conseguir fazer alguĂ©m rir (quantos mais «alguĂ©m», melhor).

  • DisponĂ­veis na Bertrand: «A doença, o sofrimento e a morte entram num bar»
  • DisponĂ­vel na Wook: «A doença, o sofrimento e a morte entram num bar»
Nota: Este blogue Ă© afiliado da Bertrand e da Wook. Assim, ao adquirirem obras atravĂ©s dos links disponibilizados, estĂŁo a contribuir para o seu crescimento literário. Obrigada! Bem-Vos-Quero 🌼📚


As crónicas mais bonitas que podemos ler sobre a vida de José Luís Peixoto.

Um conjunto de histĂłrias ternurentas, outras tristes e trágicas, outras engraçadas, mas que despertam a nostalgia tambĂ©m no leitor. As palavras e a proximidade com que Peixoto nos conta pedaços  da sua vida, faz-nos criar um tipo de laço de afecto indirecto. Acredito que isto acontece mais facilmente com os leitores da sua geração ou com os naturais do Alentejo devido aos cenários e aos locais descritos com tanto amor e recordados com tanto carinho.

A infância de Peixoto passou-se lá em baixo, nas belas paisagens de Galveias. Depois Coimbra e Lisboa. E as suas viagens.

Todo o livro cheira a ternura, amizade e amor.
Todo o livro sabe a genuinidade.
Todo o livro Ă© bonito.

  • DisponĂ­veis na Bertrand: Abraço
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Do mesmo autor de «NĂŁo Há Longe Nem Distância», esta obra retrata a histĂłria de FernĂŁo Capelo Gaivota, uma gaivota diferente de todas as outras do seu bando.

Fernão tem um sonho e um propósito maior na sua vida do que apenas lutar diariamente pelo pouco alimento que lhe engana a fome... Voar! Aprender a voar e a fazer todas as acrobacias aéreas que poderiam existir! Não é um sonho tão bonito para uma gaivota?

No entanto, ao longo do seu caminho e da sua luta, depara-se com a cegueira, com a resistência à mudança presente no seu grupo de gaivotas. Aquilo que se apresenta como saindo dos limites do comum é rejeitado por todos como sendo anormal, arriscado, impensável. Depois da sua insistência em manter-se fiel a si mesmo, Fernão vê-se obrigado a afastar-se de tudo e de todos.

Com todas as adversidades que aparecem no seu percurso, consegue, com o passar do tempo, alcançar o seu fim e fazer ver que a vida não é só procurar e guerrear por pedaços de peixe, que ser gaivota é ser muito mais do que isso. É ter asas e poder voar. É saber e continuar a aprender a voar!

  • DisponĂ­veis na Bertrand: A HistĂłria de FernĂŁo Capelo Gaivota
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Obra já com 24 anos, publicada em 1995, mas actual.
Saramago retrata um acontecimento catastrĂłfico e as suas consequĂŞncias hediondas.

A cegueira branca que, sem motivo conhecido atinge toda a população mundial e o que daí advém, tendo em conta a natureza humana cada vez mais egocêntrica e narcisista. O número de casos vai surgindo gradualmente, sem se perceber a forma de contágio, até que aumenta exponencialmente e atinge o mundo inteiro. Um mundo de cegos. O mundo onde todos os olhos vêem o mesmo branco aterrador. Excepto uma pessoa. Quem? Como? Porquê? São perguntas que nos acompanham até à última página do livro.

Tudo o que aqui sucede é descrito com uma clareza que assusta. Uma verdade possível se algo semelhante de facto acontecesse. A violência, a discriminação, os suicídios, as mil mortes. Tudo escrito nestas páginas, nu e cru. Duro de ler. Ainda mais duro se torna por percebermos que o contexto e a situação pode mudar-nos de forma terrível e radical. Fazemos tudo para proteger quem nos é querido. A tragédia torna-nos selvagens e a procura dos meios para sobreviver revela a incapacidade de vivermos em harmonia.

  • DisponĂ­veis na Bertrand: Ensaio sobre a Cegueira
  • DisponĂ­vel na Wook: Ensaio sobre a Cegueira
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Presumo que seja bom sentir saudade. Significa que valeu a pena! Significa que aquilo que vivemos em tempos ficou escrito nas nossas memĂłrias e pintado nos nossos corações… mas, caramba, tem a felicidade de ser tĂŁo dolorosa?
É fantástico ser feliz! É fantástico vivermos felizes com pessoas felizes! Mas quando perdemos as pessoas da nossa felicidade, tudo morre para nós. Percebemos que o que conta na vida são mesmo os momentos em que sentimos o amor. Damos conta que nada nem ninguém é eterno! E nasce uma súbita tristeza que não sabemos apagar! Perguntamos ao cosmos porque é que não nascemos nós ensinados a dar mais valor e a amar mais e a perdoar mais, porque não são só os erros que permanecem. As pessoas que os cometeram e que, simultaneamente, amamos também esperam pelo nosso perdão. Também o amor espera por nós! E se, por teimosia, orgulho ou outra coisa qualquer, sem saber que nome lhe chamar, não perdoamos, então seremos nós quem está a errar sem saber. Será mais tarde que nos aperceberemos deste nosso erro fatal!
E como se engana a saudade eterna? (Sim, enganar! Porque matar definitivamente nĂŁo se consegue).
Eu engano a Saudade a escrever para ti, como se um dia me fosses ler!


Demos passos na rua. Voltámos a repetir as sequências inconscientes de pegadas no alcatrão derretido da estrada. Tentámos recuperar histórias enterradas pelo peso do tempo. Descobrimos que o tempo é a ideia abstracta mais pesada que ataca a memória das pessoas, sem avisar, levando-as consigo e transportando-as para o esquecimento.

Voltámos para casa.
Rasgámos o papel de parede e riscámos o chão. Encontrámos o pisa-papéis dentro do baú, castanho e velho, que descansava no terceiro canto do lar. Abrimos a janela e colocámo-lo no parapeito para apanhar ar fresco e sol.
O tempo vinha e matava. O tempo vinha e fecundava.
Demos passos na casa. Demos passeios no jardim. Da relva via-se a janela do escritório aberta. Não podíamos vender a casa! Era de família. Fazia parte da família. Estava lá a nossa história.

Fechámos a janela. Fomos embora com saudades dos tempos que não vivemos.
Chorámos.
Demos passos na rua.

Se a poesia nasce no coração, abre o teu peito para o papel. Deixa voar o que há em ti para as linhas ainda em branco e dá ao mundo a brisa rara das palavras que ele tanto precisa para respirar. Dá voz aos que estão calados, nas estantes, grita-lhes o seu nome, clama os seus versos incansavelmente até te faltar o ar no sangue. Lê, em voz alta, aqueles que te inspiram. Mais alto. Mais alto! Tens medo de quê? A poesia só te faz bem!
Se a poesia nasce no coração, abre o teu peito para o papel. Mas abre-o mesmo! Não tenhas medo de vozes, nem de pensamentos alheios. O que é alheio é lá com eles e tu não lhes pertences. Tu pertences a ti e ao teu mundo! Lê, escreve, reescreve, grita até, mas não deixes a poesia morrer. Não deixes os versos caírem no poço do esquecimento! Eles foram escritos para serem lidos, questionados, compreendidos, mas não para serem esquecidos!
Abre o teu peito e deixa-o sentir-se livre e confiante na pureza das folhas de papel. NĂŁo deixes, por favor, a poesia morrer!



Outro fim. Outro princĂ­pio.

Nesta despedida, que é diferente, mas igualmente dolorosa, levo as minhas "Marias" e os meus "Manéis" no meu coração. Da Piscina, do Pilates, da Clínica e dos Lares.
Acabamos sempre por criar laços bem fortes, entrelaçados com a força do vento e do mar, que já não se quebram. E é tão bom. É tão bom ser uma humana a trabalhar com pessoas. Pessoas bonitas, com uma alma bonita.
Aprendi com todas elas. Coisas boas, coisas más, coisas assim-assim.
Aprendi ainda mais sobre o sofrimento alheio, como entendê-lo, aceitá-lo e como tentar reduzi-lo das mais variadas formas.
Aprendi sobretudo a fazer rir! Rir, o melhor remédio, dizem! E, às vezes, é-o mesmo, porque nem sempre se pode fazer muito mais. Por vezes, é preciso esperar e, enquanto se espera, movemos os nossos rostos de uma forma mágica e maravilhosa que desenha, que esculpe, que pinta um riso, uma gargalhada espontânea, daquelas que saem mesmo das entranhas. Daquelas mesmo boas, sabem?
Nem sempre é assim tão bonito, nem tão fácil. Na maior parte das vezes, é duro, muito duro. E rir é a última coisa que lhes apetece fazer. E, por isso, aprendi também a não fazer rir. A respeitar tempos.
Aprendi a rir da dor e com a dor.
(A)Prendi a dor. Conheço-a, mas não a sei de cor, nem a sei expulsar dos caminhos.
Aprendi a pousar a bata no cabide e a deixar as coisas do trabalho, dentro do bolso da bata. Mais tarde, aprendi que na verdade não consigo fazê-lo. Levo emoções, aprendizagens e pensamentos comigo para todo o lado. Levo memórias, boas e menos boas, mas que fazem parte do quotidiano.
Aprendi que alguns de nĂłs somos mesmo muito parecidos. Teci um carinho e uma amizade muito especial por cada um deles, mesmo sendo tantos e tĂŁo diferentes.
Aprendi a ver o mar todos os dias depois de sair do trabalho. Aprendi a deixar que o mar me acalme da azáfama interior.
Aprendi mais um bocadinho do quĂŁo complexo e bonito Ă© o ser humano, por dentro e por fora.
Relembrei que estarei eternamente, todos os dias, a aprender. Nunca saberemos tudo, mas lutamos cada dia contra isso, para saber mais. É um clichê, mas é verdade.
Relembrei o quĂŁo bonita Ă© esta profissĂŁo, tĂŁo mal tratada e rebaixada, por vezes.
Relembrei que ser Fisioterapeuta Ă© (aprender a) ser humano!
Nunca é um adeus. É sempre um até já.
Com carinho,
Da Carolina

Admiro tremendamente o silêncio, o sol posto atrás do mar, as nuvens a dançar, o marulhar e o chilrear das gaivotas.

Admiro tremendamente o sentimento de estar só, só com a Mãe Terra, Natureza, a ouvir o seu bater do coração e os seus sussurros que passam com o vento e os seus murmúrios que vêm com a chuva para os meus ouvidos.

Admiro tremendamente  sentir cada grĂŁo de areia dourada entre os meus dedos dos pĂ©s e das mĂŁos, sentir a espuma de uma onda do mar salgado e gelado, acabada de rebentar, que sobe pela areia, beijando-me a pele delicadamente.

Admiro tremendamente a relva, a terra e as ervas que me fazem cócegas nos tornozelos e cafuné nos cabelos quando me deito em toalhas finas no campo.

Admiro tremendamente o silĂŞncio.
Admiro tremendamente estar sĂł.
Serei normal?

Admiro tremendamente a MĂŁe Terra.
E assim sou feliz.
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